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Quem pintou este rosto no espelho?


"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns
e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais." 
José Saramago


Quem pintou este rosto no espelho?
Foi o tempo!

Será? Aproveitei os dias de folga para dar um descanso também para a pele do rosto, deixando a barba por fazer. Ao ver-me no espelho esta manhã, me assustei. Quem é este ai? Quem pintou este rosto?

A resposta primeira foi: o tempo, esse malvado! Mas, seria injusto imputar somente a ele a responsabilidade. No máximo ele foi testemunha, uma vez que estava presente em todos os atos.

Penso que esta obra tem vários autores. Primeiro, a própria Criação com suas leis físicas e metafísicas puxando uma ruguinha aqui, tirando a cor de um cabelinho ali, derrubando outro acolá. O temperamento, tempero que vem da Terra. A influência dos Astros, por que não? O Senhor Destino, ligando e desligando fios invisíveis. Depois, os demais; amigos, colegas e desafetos, cada um a seu jeito dando a sua pincelada. Finalmente, mas não necessariamente nesta ordem, eu mesmo, com meus pensamentos, meus fracassos e acertos. 



O resultado é isso, uma obra que bem poderia se chamar impressão facial. Única, que não se pode avaliar em dinheiro, que revela aos que souberem lê-la toda uma trajetória, toda uma biografia.

Com relação a ser o primeiro dia, o último ou apenas mais um; o que não dá mesmo para saber é se será o último. Só não quero que seja apenas mais um. Por isso, faço dele o primeiro, o primeiro dia do resto da minha vida, aproveitando para plantar aqui e agora uma semente, que espero, ao seu tempo germinará.

Afinal, faz algum tempo que resolvi ser o protagonista deste grupo de artistas, pois aprendi que se eu não pintar na minha tela, alguém vai pintar e pode ser que eu não goste do resultado.

Fantástico: Giovanna aprendeu a ler nas lápides


É Fantástico!

Dia 28 de março o Fantástico exibiu uma reportagem sobre Giovanna Cury, a menina de Pindamonhangaba que aprendeu a ler no Cemitério. Assista o video que foi ao ar.

O que o Fantástico não mostrou?

Vale a pena conferir, no vídeo abaixo, um trecho da entrevista de Mauricio Kubrusly com o escritor Severino Antônio que, infelizmente, não foi ao ar. Leia também ao longo deste texto alguns aspectos do
lado humano, poético e pedagógico desta história, que o programa não mostrou.



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Making of

Para ver um pouco do making of da reportagem feita pela Rede Globo, clique na imagem:

Fantástico: A menina que aprendeu a ler nas lápides

A menina, o avô e a professora

Conhecemos Giovanna Cury em 2003, na época contando dois aninhos de idade.
Sem dúvida uma menina encantadora, conversada, conhecia as cores, algumas letras e entendia e aprendia qualquer coisa com muita facilidade.

Minha filha
Melina Rocha se encantou com ela e desde então passou a fazer parte dos programas de nossa família.

Quando ela tinha cinco anos, embora sem
freqüentar escola, já sabia ler com desenvoltura e se orgulhava de contar que aprendera a ler com o seu avô, José Carlos, zelador de um cemitério da cidade de Pindamonhangaba. O incrível da história é que seu aprendizado aconteceu nas lápides, nas quais o avô lia as inscrições para ela, enquanto o acompanhava em suas brincadeiras. Chama a atenção ainda o fato de o avô não ter sequer concluído o ensino fundamental.

Em 2007,
Melina conseguiu para a pequena Giovanna uma vaga em uma escola municipal, na qual a menina rapidamente se adaptou.

Neste mesmo ano, aconteceu a inauguração de uma
Brinquedoteca (local de trabalho da Melina) e para a solenidade ela convidou a Giovanna para ler um poema. Sua desenvoltura chamou atenção de todos, principalmente do prefeito, que não acreditava que uma criança que acabara de entrar na escola pudesse ler com tanta perfeição. Sua performance roubou a cena, literalmente. Todos queriam conhecer a menina de olhos azuis que interpretava com tanta exatidão os versos daquele poema. O fato acabou rendendo uma matéria em um jornal local (Tribuna do Norte).

Sabendo que ela completaria sete anos, minha esposa,
Almelice, que é professora em uma escola particular, fazendo chegar à diretoria do estabelecimento de que se tratava de uma garota extremamente talentosa, intermediou a negociação de uma bolsa de estudos integral para Giovanna. Almelice foi também sua professora na primeira série. Para que ela pudesse acompanhar o ritmo da escola, Almelice conseguiu também alguns "patrocinadores" para as despesas com materiais, roupas, viagens e outros custos inerentes à vida escolar.

A menina e o escritor

Na mesma época, Almelice contou para o professor e escritor Severino Antonio a história da menina. Ele quis conhecê-la, conversou com ela, com o seu avô e, com grande sensibilidade, captou o lado humano, poético e pedagógico de sua biografia. Meses depois saia o livro "A Menina que Aprendeu a Ler nas Lápides", lançado pela Biscalchin Editora, assinado pelo conceituado professor Severino.

O livro virou matéria de capa de uma revista especializada em língua portuguesa. A equipe do Fantástico tomou
contato com a matéria, e, a partir da informação contida no artigo de que a professora Melina Rocha trabalhava na rede municipal de ensino de Pindamonhangaba, obteve com a prefeitura o número de seu telefone.

Que pena!

Como você pode ver, trata-se uma história repleta de amor, poesia e pedagogia. Pena que o Fantástico tenha mostrado apenas o lado pitoresco da história! Por que será? O que você acha?

A menina que aprendeu a ler nos epitáfios


Conhecemos Giovanna Cury em 2003, na época contando dois aninhos de idade.
Sem dúvida uma menina encantadora, conversada, conhecia as cores, algumas letras e entendia e aprendia qualquer coisa com muita facilidade.

Minha filha Melina se encantou com ela e desde então passou a fazer parte dos programas de nossa família.

Quando ela tinha cinco anos, embora sem freqüentar escola, já sabia ler com desenvoltura e se orgulhava de contar que aprendera a ler com o seu avô, José Carlos, zelador de um cemitério da cidade de Pindamonhangaba. O incrível da história é que seu aprendizado aconteceu nas lápides, nas quais o avô lia as inscrições para ela, enquanto o acompanhava em suas brincadeiras. Chama a atenção ainda o fato de o avô não ter sequer concluído o ensino fundamental.

Em 2007, Melina conseguiu para a pequena Giovanna uma vaga em uma escola municipal, na qual a menina rapidamente se adaptou.

Neste mesmo ano, aconteceu a inauguração de uma Brinquedoteca (local de trabalho da Melina) e para a solenidade ela convidou a Giovanna para ler um poema. Sua desenvoltura chamou atenção de todos, principalmente do prefeito, que não acreditava que uma criança que acabara de entrar na escola pudesse ler com tanta perfeição. Sua performance roubou a cena, literalmente. Todos queriam conhecer a menina de olhos azuis que interpretava com tanta exatidão os versos daquele poema. O fato acabou rendendo uma matéria em um jornal local (Tribuna do Norte).

Sabendo que ela completaria sete anos, minha esposa, Almelice, que é professora em uma escola particular, fazendo chegar à diretoria do estabelecimento de que se tratava de uma garota extremamente talentosa, conseguiu para Giovanna uma bolsa integral. Almelice foi também sua professora na primeira série. Para que ela pudesse acompanhar o ritmo da escola, nos encarregamos de pagar as despesas com materiais, roupas, viagens e outros custos inerentes à vida escolar.

Na mesma época, Almelice contou para o professor Severino Antonio a história da menina. Ele quis conhecê-la, conversou com ela, com o seu avô e, com grande sensibilidade, captou o lado humano, poético e pedagógico de sua biografia. Meses depois saia o livro A Menina que Aprendeu a Ler nas Lápides, lançado pela Biscalchin Editora, assinado pelo conceituado professor Severino.

O livro virou matéria de capa de uma revista especializada em língua portuguesa. A equipe de uma programa de TV tomou contato com a matéria, e, a partir da informação contida no artigo de que a professora Melina trabalhava na rede municipal de ensino de Pindamonhangaba, obteve com a prefeitura o número de seu telefone. A TV entrou em contato com Melina e, o desfecho desta história, eu conto em breve.

Quando eu morrer

Como assim? Quando eu morrer? Quem disse que eu vou morrer?
Claro, as leis do Criador são inexoráveis e dentre as que dizem respeito ao corpo físico estão aquelas que determinam para este um prazo de validade. Qual é o do meu? Não sei!

Certo é que cedo ou tarde esta matéria estará fria, sem vida. Enquanto isso não acontece, me esforço para cuidar dela com afinco. Não deixo também de oferecer-lhe minha imensa gratidão por tudo o que, como instrumento adequado que é ao mundo terreno, permitiu e continua permitindo-me viver, sentir e realizar.

Confio em Deus, em suas infinitas e justas Leis e terei o lugar que ao Seu juízo merecer. Isso, naturalmente, em função do que eu fiz enquanto estive aqui. 
Portanto, quando este corpo parar não quero ninguém rezando, nem pedindo a Deus que me tenha em bom lugar. Não há necessidade da intervenção de terceiros, o Criador não precisa de testemunhas.

Também não quero saber de tristeza. Quase todos os momentos vividos com minha família, com os amigos, no trabalho (isso mesmo, no trabalho) e em tudo o que passei, foram permeados pela alegria. Por isso não quero tristeza na minha despedida, que até prefiro que chamem de um até breve. Em vez de ficarem se perguntando: o que dizer numa hora dessas? Ou, o que é essa vida, hein?... Ontem mesmo ele estava aqui com a gente e agora está ai ó, durinho da Silva. Claro que ontem estava aqui, e anteontem também, ainda bem; que falta de assunto é essa? Outra coisa que não quero é gente falando: o que é que a gente vale, olha só! 
Porque eu valho muito, sei que sim!

Em vez de tristeza e estas reflexões (?) toscas, prefiro que tentem recordar momentos que viveram comigo, de preferência os mais agradáveis, os que tocaram nossa sensibilidade ou instigaram nossa inteligência, ocasiões nas quais aprendemos algo juntos, sobre a vida ou sobre nós mesmos. Esta será a melhor homenagem que poderão me prestar os meus amigos.


Por fim, não quero que chamem de velório, pois prefiro não ter velas por perto.


A virada

Abri mão de uma carreira técnica promissora para recomeçar na área de Recursos Humanos da própria empresa na qual trabalhava.

Era um técnico em eletrônica quando entrei na área da Refusão, em 1987, como assistente de Manutenção Elétrica. Na época, minha intenção era construir uma carreira técnica. Pouco tempo depois, tornei-me coordenador da mesma área, mas minha visão começou a mudar. Por volta dos 35 anos de idade, embora satisfeito com meu trabalho e muito reconhecido pela organização, comecei a rever o meu futuro profissional e descobri que gostaria de atuar no desenvolvimento de pessoas.

Convicto do meu novo objetivo, ele segui em frente – mesmo não sendo compreendido inicialmente por boa parte dos colegas, amigos e familiares - pois era visto como um bom profissional em meu ramo de atuação. No entanto, tão logo compreenderam a genuinidade dos meus objetivos, todos me apoiaram.


O meu primeiro passo foi a matrícula no curso de Direito, dentro da meta de ter uma formação compatível com meu objetivo. Três anos se passaram quando surgiu a oportunidade na área de Recursos Humanos. Eu estava envolvido no projeto de expansão da fábrica e tinha grandes chances de crescer na carreira técnica, mas não desisti do sonho e aceitei a proposta da mudança. Foram mais de seis meses de negociação com o gerente de RH da empresa. As conversas visavam, por um lado, aferir minha convicção, e, por outro, desenhar a transição.

Assim, antes mesmo de completar o curso de Direito, fui transferido para a área de RH como assessor de treinamento. Tenho certeza de que fiz a coisa certa. Por meio da minha profissão, estou realizando boa parte da missão da minha vida que, segundo compreendo, é usar das habilidades e competências que construí ao longo da vida para influenciar positivamente na biografia de outras pessoas. Por isso, penso muito, durante a elaboração dos processos de treinamento e desenvolvimento, no quanto os resultados daquele trabalho poderão melhorar o negócio da empresa e propiciar o crescimento das pessoas neles envolvidas.

Além do mais, sinto-me rejuvenescido, pois, quando deveria preparar-me para consolidar uma carreira e já começar a pensar em aposentadoria, eu comecei outra, totalmente nova, cheia de desafios e constante aprendizado. E, claro, tudo isso aconteceu graças à presença de Deus em primeiro lugar, ao apoio da família, dos amigos e dos gestores da empresa.

Hoje, com os cursos de Direito e MBA em Gerência de Recursos Humanos concluídos, além da cursos em renomadas entidades, atuo como gerente corporativo de treinamento e desenvolvimento da empresa para América do Sul e sinto-me preparado para encarar novos desafios.

Ajudando o papai...

Eu estava passando por uma fase difícil, dessas pelas quais todo mundo passa de vez em quando.
Um filho com problema de saúde, trabalhando 12 horas por dia e com o dinheirinho contado para dar conta das despesas.

Para completar, eu tinha um Fiat 147 (acredite, ainda não era esse o maior problema) e, desatento a um semáforo vermelho em Belo Horizonte, passei direto e bati em 2 carros. Para resguardar meu bom nome, usei minhas reservas para pagar os prejuízos causados aos terceiros e resolvi fazer uma lanternagem caseira, apenas o suficiente para continuar usando o carro até poder consertá-lo definitivamente.

Peguei uma marreta, alguns pedaços de madeira, um tapete para me deitar no chão e, munido dos apetrechos, comecei por desamassar o para-lama dianteiro, aplicando-lhe fortes marteladas.

Após alguns minutos de cansativo trabalho, fui até à cozinha tomar um copo d’água, quando ouvi, proveniente da garagem, um estardalhaço característico de vidros se quebrando. Fui correndo e surpreendi minha primogênita com a marreta na mão, um sorriso no rosto e apontando para o farol todo quebrado, ao mesmo tempo que dizia com ar de dever cumprido: - Ajudando o papai!

É só um foguinho de nada...

"Antes de dedicar sua amizade a alguém, convém que conheça suas idéias, sua moral, suas inclinações, etc. A boa impressão que você tenha, ao tomar contato com uma pessoa, terá de ser confirmada pelo que observar nela em tratos posteriores."
Do livro Bases para sua conduta, de Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol)

Vou te contar uma historinha rápida.

Quando iniciei minha carreira técnica - isso faz mais de trinta anos - tive um treinamento de prevenção e combate a incêndio. O treinamento foi ministrado pelo comandante do Corpo de Bombeiros de BH, que fez uma coisa muito interessante.

Ele acendeu uma vela em cima da mesa e começou a conversar, como quem não quisesse nada. De repente, ele levou os dedos indicador e polegar na boca, molhou-os com a língua (que porquice!) e, na sequência, apertou o pavio da vela com os dois, apagando-a instantaneamente.

Então comentou: vocês perceberam que apaguei este fogo com dois dedos?! Entretanto, se ele tivesse se espalhado pela mesa e em seguida tomasse conta do auditório e do prédio, eu poderia chamar toda a minha corporação - que não é pequena - com todos os equipamentos e caminhões pipa que temos e demoraríamos horas para dominar o incêndio.E mesmo depois que o fizéssemos, as consequências seriam irremediáveis.

Transformei esta história numa metáfora, que naturalmente ficou gravada em minha mente e, todas as vezes que me esqueço dela, me dou mal.

Solidão

Eu estava na janela
Tão triste a soluçar
Dizendo a meu pai
Sem ti não posso ficar

Volte papai para aqui
Sem ti mal posso dormir
Acabe com a solidão
Que habita me coração

Todos dizem que sou homem
Mas criança é o que sou
E agora sem meu pai
Não sei para onde vou

1970, aos onze anos de idade, quando perdi meu pai.