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Mães precursoras

"Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. 
O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela. 
O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo."
Chefe Seattle

Acabo de chegar do Povoado Matutu, um lugar mágico localizado no Sul de Minas Gerais em meio às montanhas da Mantiqueira. Foi uma viagem de autoconhecimento, de expansão de limites e descobertas inefáveis.

Um evento que contou com a participação de cinquenta consultores que juntos estão construindo o futuro do Instituto EcoSocial, parte inseparável do futuro de cada participante. Pois é, para essa gente, casa de ferreiro não é feita de espeto de pau.

Foram momentos ricos e intensos, tanto nos trabalhos em grupo como na experiência solo, inesquecível oportunidade de ficar vinte e quatro horas tendo como companhia apenas meus pensamentos, sentimentos, um riacho, o Criador e a exuberante Natureza que me recebeu de volta. 

Diante de tanta coisa incrível, algo comoveu minha sensibilidade: as coordenadoras e facilitadoras do processo, duas jovens senhoras e seus bebês. Sabemos do poder da mulher, de sua capacidade de realizar e de fazer várias coisas ao mesmo tempo, fato que nos deixa a nós - homens - num misto de admiração e inveja sem explicação.

Aqui, foi diferente de tudo o que já vi até então. Os bebês, Kiran e Emil, ambos de quatro meses, participaram de tudo. Eram amamentados, acompanhavam as falas, se mudavam entre os colos dos participantes, prestavam atenção, davam risadas, opinavam, choravam. Sociáveis, tão à vontade quanto as próprias mães que numa dança indescritível transitavam entre flipcharts, gente, mato e água, sem perder a pose. Numa doce elegância, davam de mamar, trocavam fraldas e despejavam afeto nos seus pequenos filhotes.

Mille e Christel, consultoras da Reos Partners, desafiam as fronteiras da mulher, reinventam e demonstram que o ápice da sofisticação é a simplicidade. Mostram que podem conduzir um trabalho, cujos alcances não conseguimos abarcar, sem perder a essência maior da mulher, que a torna verdadeiramente feita a imagem e semelhança do Criador, a prerrogativa de ser mãe.

Deus

O universo me intriga, e não posso pensar que este relógio exista e não o relojoeiro. (Voltaire)

A ciência já tem elementos para deduzir que o universo tem mais de 100 bilhões de galáxias. Isso mesmo, bilhões!!

Só a nossa Via Láctea – que não é das menores - tem 100 mil anos luz de diâmetro. Isso significa que para percorrermos de um lado ao outro da nossa “casa” demoraríamos 100 mil anos viajando à velocidade da Luz, que é de 300 mil quilômetros por segundo.

Isso me faz pensar: qual é o tamanho de Deus?

Uma reflexão de Natal

Feito à imagem e semelhança do Criador.
Quando eu era menino e – confesso - durante boa parte de minha vida, ao ler esta citação imaginava que Deus era um homem grandão em relação ao qual eu guardava a referida semelhança.
Com o tempo passei a compreender que esta analogia se refere ao fato de eu também ser criador, de criar arte, tecnologia, conhecimento; de poder criar até o próprio rumo de minha vida, que alguns chamam destino.
Nesta época do Natal, da maneira como é descrito pela tradição cristã, fiquei pensando: se eu fosse Deus, com que objetivo teria protagonizado esta história?
Inspirado pela reflexão da semelhança, fiquei pensando que, como gestor que sou, vejo os danos que provoco quando faço alguma coisa diferente das normas que eu próprio institui para a minha equipe. Quer dizer, se defini que para o nascimento de novos seres humanos é necessário concurso de um homem e uma mulher, como é que Eu mesmo vou quebrar esta lei? Para mostrar meu poder? O fato de ter criado as mais de 100 bilhões de galáxias, a vida, a morte, a inteligência, o amor e tudo o mais, já não deixa mais que provado do que Deus é capaz? Tudo tão organizado, tudo sujeito a leis inexoráveis, não é tudo grandioso demais?
Logo, pensei como pai de 3 filhos. Para mostrar minha bondade e amor, eu enviaria um dos meus filhos para ser injustiçado e morto numa batalha? Quem é pai sabe muito bem que a gente é capaz de dar a vida pelos filhos e não dar a vida dos filhos para salvar quem quer que seja do que quer que seja, não é assim?
Gente, será? Será que Deus foi mesmo protagonista desta história?

Quando eu morrer

Como assim? Quando eu morrer? Quem disse que eu vou morrer?
Claro, as leis do Criador são inexoráveis e dentre as que dizem respeito ao corpo físico estão aquelas que determinam para este um prazo de validade. Qual é o do meu? Não sei!

Certo é que cedo ou tarde esta matéria estará fria, sem vida. Enquanto isso não acontece, me esforço para cuidar dela com afinco. Não deixo também de oferecer-lhe minha imensa gratidão por tudo o que, como instrumento adequado que é ao mundo terreno, permitiu e continua permitindo-me viver, sentir e realizar.

Confio em Deus, em suas infinitas e justas Leis e terei o lugar que ao Seu juízo merecer. Isso, naturalmente, em função do que eu fiz enquanto estive aqui. 
Portanto, quando este corpo parar não quero ninguém rezando, nem pedindo a Deus que me tenha em bom lugar. Não há necessidade da intervenção de terceiros, o Criador não precisa de testemunhas.

Também não quero saber de tristeza. Quase todos os momentos vividos com minha família, com os amigos, no trabalho (isso mesmo, no trabalho) e em tudo o que passei, foram permeados pela alegria. Por isso não quero tristeza na minha despedida, que até prefiro que chamem de um até breve. Em vez de ficarem se perguntando: o que dizer numa hora dessas? Ou, o que é essa vida, hein?... Ontem mesmo ele estava aqui com a gente e agora está ai ó, durinho da Silva. Claro que ontem estava aqui, e anteontem também, ainda bem; que falta de assunto é essa? Outra coisa que não quero é gente falando: o que é que a gente vale, olha só! 
Porque eu valho muito, sei que sim!

Em vez de tristeza e estas reflexões (?) toscas, prefiro que tentem recordar momentos que viveram comigo, de preferência os mais agradáveis, os que tocaram nossa sensibilidade ou instigaram nossa inteligência, ocasiões nas quais aprendemos algo juntos, sobre a vida ou sobre nós mesmos. Esta será a melhor homenagem que poderão me prestar os meus amigos.


Por fim, não quero que chamem de velório, pois prefiro não ter velas por perto.


A natureza é feminina

Deus fez tudo com amor,
coloriu a borboleta
e um ser supremo criou
pra reinar neste planeta.

Parte divina na Terra, tem o poder de criar,
combate com rosas a guerra, sabe amar e perdoar.
Poderosa intuição, sensível por excelência,
decide com o coração, superando a inteligência.

Ingênua, mansa, carente,
fragilidade é seu forte,
esperta, brava, valente,
o sentimento é seu norte.

Polinômio indecifrável,
mistério que não termina,
amável, indispensável,
Oh! Alma feminina!