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Namorar


Poesia é ser surpreendido com a melodia de taças dançando.
Abrir os olhos e ver uma flor...
E logo, outra.

É ter diante de mim um banquete.
que tem calor
que tem perfume
que tem amor.

É pensar que a festa acabou
e descobrir que ainda nem começou.
É ter a flor despida, as pétalas espalhadas,
viajar por montanhas, descobrir grutas,
num toque da fada cair de prazer,
adormecer de amor.

Poesia, encanto, magia.
Agradecer.
Viver maravilhas.
Que gostoso é ter você!

28 anos


Há vinte e oito anos
Com a mocinha me casei
Hoje vejo os mesmos olhos
Porque me apaixonei.

Unimos nossos sonhos
E juntos fizemos planos
Construímos tanta coisa
Nunca nos abandonamos.

A moça virou mulher
E desvelou seus encantos
Aprendeu o que quer um homem
No amor,

quando está em prantos.

Hoje estou muito feliz
Com a minha namorada
Tenho a família que eu quis
E a mulher apaixonada.

Conserve Deus este prêmio
Tão nobre, tão transcendente
Vinte e oito anos mais
Se puder,
Eternamente!

1º de Maio de 2009

Felicidade


Só ligar pra dizer oi
é tão simples, inteligente
pois coloca um enfeite
na vida de toda gente.

Um bombom, uma surpresa,
um docinho ou chocolate,
uma rosa sobre a mesa
não é jóia, mas que quilate!

Ser silêncio, todo ouvidos,
escutar com paciência,
faz nascer, manter amigos,
torna feliz a exitência.

Vê, é fácil, se tu queres,
levar a vida em poesia,
transformar pequenas coisas
em grandes porções de alegria.

Menina Maluquinha


Mãe e filha
Manteiga derretida
Mulher e tia
Durona e atrevida

Esta mulher que encanta
Que sem cantar arrebenta
Que de todos os males espanta
Ligada em quatro quarenta. (440 Volts!)

Para menina Almelice
Que nos ensina a amar
Que bom que você existe
E de criança sempre terá.

Professora Maluquinha

Não basta saber dar aulas
Para ser bom professor
É preciso muito mais
Tem que ter dom e amor!

E uma linda professora
Que ensina pras vidinhas
Que é tão encantadora
Só pode ser maluquinha!

Esbanja graça e encanto
Com doce tagarelice
Capaz de espantar os prantos
Só professora Almelice!

Sonho e valsa


Apenas alguns instantes
Com gosto de eternidade
Em meio a luzes piscantes
Retornei à tenra idade.

O seu rostinho brilhando
Os olhos de menina
Meu coração disparando
Desvelou do tempo a cortina

E dançando aquela valsa
Um lindo filme assisti
Você com a mesma graça
Da menina que conheci.

Existir


Há muito não sou poeta
Há muito não sou profeta
Sou filho, colega, funcionário
Sou pai, marido, operário.
Operário na fábrica
Operário no mundo.

Na fábrica, fácil. 
No mundo, difícil.

Procuro a missão para tal concepção
Animal, mas (tem) mente
Material, mas tem sentimentos
Física, mas espiritual.

O tempo é o mistério
O tempo não para e a vida passa.

Operário enganado
Só fazendo matéria
Só sendo animal ou...
às vezes animal.

O tempo passa e a vida acaba
O corpo está frio e é só animal.
Missão fracassada, caminho errado.

É grande a concepção
mente, coração, espírito...

Agora já sei qual é a missão
Fácil entender, difícil é fazer
Respeitar a concepção, construir nela,
Evoluir
Destruir as imperfeições
Construir atributos
Respeitar as Leis
Construir o eterno...

Quando o corpo for frio
O eterno continua... é amigo do tempo.
É a missão do existir.

A natureza é feminina

Deus fez tudo com amor,
coloriu a borboleta
e um ser supremo criou
pra reinar neste planeta.

Parte divina na Terra, tem o poder de criar,
combate com rosas a guerra, sabe amar e perdoar.
Poderosa intuição, sensível por excelência,
decide com o coração, superando a inteligência.

Ingênua, mansa, carente,
fragilidade é seu forte,
esperta, brava, valente,
o sentimento é seu norte.

Polinômio indecifrável,
mistério que não termina,
amável, indispensável,
Oh! Alma feminina!

Só você


De algodão e sandalinha
tem ares de gatinha
mas se coloca um saltão
já virou um mulherão.

O narizinho é de anjo
e a boca é tentação
paradoxa mistura
de encanto e explosão.

Graciosa inteligência
e um enorme coração
da criança a inocência
da mulher tudo de bom.

Mesmo ficando distante
fecho os olhos e te vejo
te sinto dentro de mim
você meu maior desejo.

É um divino presente
que mudou o meu destino
presente na minha vida
me faz parecer menino.

Me encontrando

Como flor silvestre surgistes em meu jardim.
Não sabia que te havias plantado
Sequer sabia que existias.

Demorei pra te descobrir,
Por que nunca quisestes te me mostrar?

Minha boca torta,
As idéias turvas
Os pensamentos confusos
Foi preciso o espelho do outro para te enxergar.

E agora?
Eis desvelado nosso desiderato
Terei que te cultivar.
Terás que me cativar.

Ao cultivar-te a alma
esmero no meu oficio de jardineiro.

Tu buscas luz e calor
Te mostro o sol
Te acomodas
Te jogo nas trevas

Tu buscas alimento
Te compartilho idéias.
Tu buscas respostas
Te dou perguntas

Por vezes te podo
Noutras te protejo dos predadores,
Te afasto das ervas daninhas.
Errei, confesso, te segurei.

E quando estiveres pronto
Não poderei colher-te
Não me pertences
Não me pertencerás
E nosso moto continua.

Eis ai nosso desiderato
A nossa (dura) lei
Tu me cativas
Eu te cultivo...
Apenas.

Soneto da impostura

Deus me concebeu livre e soberano
Para criar minha biografia
E pincelar na de outro ser humano
Mil gotas de afeto em policromia

Para fazer bem mais do que é preciso
O que é preciso é ‘inda muito pouco
É como a linda boca sem sorriso
Pra quem ama tanto que é chamado louco

O homem me fez escravo temeroso
Julgou, sentenciou e me prendeu
Nas estreitas amarras do egoísmo

Tratou-me com espírito nanismo
Tirou-me parte do que Deus me deu
Quiçá meu bem mais precioso

Soneto da graça

Deus expressa o seu afeto no mais
Naquilo que é supérfluo pra razão
Que não faz a menor falta aos normais
Mas que faz bater forte o coração

Por que tem a borboleta mil cores?
Se não servem pro seu vôo embalar?
As flores? Para que tantos odores?
Não fosse para vida enfeitar!

Viver o necessário não tem graça
A cereja do bolo é que é o presente
Fala mais alto o burburinho

Sem calor, a vida fica e o tempo passa.
Fingindo existir e estando ausente
Por que ser assim tão pequeninho?

Um brinde...

À sua alegria
À sua capacidade de reagir
De inspirar poesia.

À sua beleza
Sua integridade
Sua inteireza.

À sua vida
À vida que você cria
Na vida de cada vida.

Te amo
2004, no réveillon, para minha amada.

4 R's

O rato roeu a roupa do rei
Quatro “erres” eu falei.

Numa lata colorida
Vou tomar meu guaraná
Mas é claro que o alumínio
Vou levar para reciclar.

Um pãozinho bem quentinho
O meu papai vai comprar
Com uma sacola de pano
Que é pra reutilizar.

Com o plástico da garrafa
Eu vou fazer um colar
Não jogo nada no lixo
Isso é reaproveitar.

E com tanta alegria
Claro que vou conseguir
Água, papel e energia
Já sei como reduzir.

Reduzir e reutilizar
Reciclar e reaproveitar
O rato roeu a roupa do rei
Quantos “erres” eu falei?!

2007, para os alunos da Almelice na semana do meio ambiente.

Solidão

Eu estava na janela
Tão triste a soluçar
Dizendo a meu pai
Sem ti não posso ficar

Volte papai para aqui
Sem ti mal posso dormir
Acabe com a solidão
Que habita me coração

Todos dizem que sou homem
Mas criança é o que sou
E agora sem meu pai
Não sei para onde vou

1970, aos onze anos de idade, quando perdi meu pai.